4.5

Outros negócios

4.5.1 Electrogas

A 7 de fevereiro de 2017, a REN concluiu a aquisição de uma participação de 42,5% no capital social da Electrogas, S.A., por 180 milhões de dólares. Com esta aquisição, a REN concretiza um dos objetivos definidos no seu plano estratégico 15-18, nomeadamente a execução de um projeto de investimento internacional.

A Electrogas detém e opera um sistema de transporte de gás natural localizado na região centro do Chile que é constituído por dois gasodutos principais, que interligam o Terminal de GNL de Quintero à zona metropolitana de Santiago, a um ramal de alimentação de centrais termoelétricas e refinarias e ao gasoduto GasAndes, que se estende entre o Chile e a Argentina.

Os restantes acionistas da Electrogas são a Colbun S.A. (42,5%) e a Empresa Nacional del Petróleo (ENAP) (15%), empresa integralmente detida pelo Estado Chileno. A relação entre as partes é regulada através de um acordo parassocial.

A REN financiou a aquisição através da emissão de papel comercial plenamente garantido através de linhas de crédito de longo prazo disponíveis.

A aquisição enquadra-se no plano estratégico da REN, que define a expansão internacional como um dos principais vetores de crescimento da empresa. A entrada no Chile permite expandir as vias de crescimento da REN e diversificar o risco de negócio, reduzindo a dependência face ao mercado doméstico.

A REN espera poder aplicar a sua experiência operacional, obtida no âmbito da gestão da rede de transporte de gás natural em Portugal, ao mercado chileno, cujo setor energético apresenta um importante potencial de crescimento. A REN considera o Chile como um mercado estratégico alvo, em função dos seus sólidos indicadores económicos históricos e da estabilidade do seu enquadramento político, legal e regulatório.

 

O gasoduto da Electrogas é crucial para abastecer os centros de geração energética que alimentam a zona central do Chile.

Infraestrutura única na região, o gasoduto da Electrogas é crucial para abastecer os centros de geração energética que alimentam a zona central do Chile, bem como as empresas distribuidoras de gás natural na região de Santiago e Valparaíso. O gasoduto é reversível, permitindo a exportação e importação de gás natural com a Argentina, país limítrofe do Chile.

Os principais clientes da empresa incluem importantes empresas de geração elétrica (ENEL, Colbún e AES Gener), entidades industriais (ENAP) e distribuidoras de gás natural (Metrogas e GasValpo).

O modelo de negócio da Electrogas assenta em contratos firmes take-or-pay sem risco de volume e preço, com uma maturidade média de 13 anos.

As infraestruturas para o transporte de gás da Electrogas têm uma idade média de 17 anos, tendo sido projetadas e construídas de acordo com códigos de engenharia e boas práticas internacionais. As infraestruturas mais relevantes são as seguintes:

  • Gasoduto Chena (Santiago)-Lo Venecia (Quillota), com 123 quilómetros e diâmetro entre 24 e 30 polegadas.
  • Gasoduto Lo Venecia-Quintero, com 28,5 quilómetros e diâmetro de 24 polegadas
  • Ramal El Maqui - Colmo, com 14,05 quilómetros e diâmetro de 16 polegadas
  • 10 estações de seccionamento e derivação
  • 12 estações de entrega de gás
  • Centro de despacho localizado em Quillota
  • Sistemas SCADA e medição de gás
  • Sistema de proteção catódica

A Electrogas transporta em média 2,7 a 3,1 bcm de gás natural por ano. Os principais pólos de consumo são a região metropolitana de Santiago do Chile, a região de Valparaíso, centrais térmicas de produção de eletricidade na região de Quillota e refinarias em Concón (Valparaíso).

O nível de serviço é considerado muito bom, sem interrupções de fornecimento registadas em 2016 e com todos os indicadores de desempenho a registarem valores em linha com os TSO europeus.

A Electrogas opera também um oleoduto com 20,5 quilómetros e diâmetro de 8 polegadas para transporte de combustível diesel entre as refinarias localizadas em Concón e centrais térmicas de produção de eletricidade em Lo Venecia (cidade de Quillota). Estas centrais utilizam o gás natural como combustível primário, sendo o diesel utilizado como combustível de suporte para o caso de interrupção de abastecimento de gás natural.