4.2

Eletricidade

4.2.1 Exploração da RNT

UTILIZAÇÃO DA REDE DE TRANSPORTE

Em 2017, a energia transportada pela RNT atingiu 47,2 TWh, o valor mais elevado de sempre, ultrapassando em 1,2% o anterior máximo verificado no ano anterior. A potência máxima transportada, 9 111 MW, fica apenas a 30 MW da máxima histórica registada igualmente no ano anterior.

Apesar da tendência de aumento da injeção de pequenos produtores ao nível da rede de distribuição, verificada nos últimos anos, em 2017, 73% da produção nacional foi injetada diretamente na rede de transporte, face a 71% no ano anterior, totalizando 39,8 TWh.

Este valor passou a ser o mais elevado de sempre injetado pelos produtores ligados à RNT.

47,2 TWh Energia transportada pela RNT atingiu o valor mais elevado de sempre

As perdas na rede de transporte ficaram ligeiramente acima dos 700 GWh, passando de 1,72% da energia transportada em 2016 para 1,51% em 2017. Esta redução nas perdas está ligada à queda da produção renovável, verificada no ano, resultando de uma redução da produção no Norte do país e de uma consequente distribuição das injeções mais equilibrada ao longo da rede.

Balanço da rede de transporte
TWh  ‘17  ‘16 
Centros produtores  39,8  39,6 
Interligações  5,5  4,6 
Rede de distribuição  1,9  2,5 
46,5  45,9 
Centros produtores/Clientes diretos  4,0  3,3 
Interligações  8,2  9,7 
Rede de distribuição  34,3  32,9 
Consumos próprios  0,0  0,0 

As capacidades de interligação disponibilizadas no mercado diário situaram-se em cerca de 2 000 MW no sentido importador e 3 000 MW no sentido exportador, tratando-se no último caso do valor mais elevado de sempre. Tal como já tinha acontecido em 2016 o sistema nacional manteve-se com tendência exportadora ao longo de todo o ano, com registo de congestionamentos (após mercado diário) no sentido Portugal-Espanha em 2% dos períodos e em 4% no sentido contrário.

Qualidade de serviço

O ano de 2017 foi particularmente adverso devido à vaga de incêndios que assolou o país, com principal incidência e gravidade na região Centro. Apesar desse facto, a qualidade de serviço técnica – entendida como segurança e continuidade do abastecimento de energia elétrica, com caraterísticas técnicas adequadas – situou-se em níveis positivos, consolidando a tendência de uma progressiva e sustentada melhoria do desempenho da RNT, verificada ao longo dos últimos anos.

No que diz respeito à continuidade de serviço, o efeito adverso dos incêndios de outubro teve particular impacte nos indicadores SAIDI e SARI que registaram valores muito acima do verificado nos últimos anos. No âmbito do Regulamento da Qualidade de Serviço (RQS), a REN solicitou à ERSE a classificação como evento excecional do conjunto de ocorrências na RNT provocadas pelos incêndios dos dias 15 e 16 de outubro. Os restantes indicadores gerais estabelecidos no RQS (ENF, TIE, SAIFI e MAIFI) registaram valores em linha com o registado nos últimos anos. Neste âmbito, as políticas e estratégias adotadas pela concessionária da RNT para a atividade do transporte de energia elétrica têm promovido a adequação e eficiência na exploração da rede (atributos que são confirmados por estudos de análise comparativa do desempenho técnico-económico, entre operadores de redes de transporte de energia elétrica).

O tempo de interrupção equivalente (TIE) – indicador de desempenho global usualmente utilizado por empresas gestoras de redes elétricas –, imputado diretamente à REN, foi de 6,6 segundos, correspondendo a uma energia não fornecida de 10,5 MWh. Este valor representa o que seria um fornecimento de energia elétrica praticamente ininterrupto (em 99,99998% do tempo, i.e. 999 horas, 59 minutos e 59 segundos em cada mil horas) a um único consumidor «equivalente» (a totalidade de Portugal continental), com potência e energia que representasse a totalidade dos diversos pontos de entrega à rede nacional de distribuição e consumidores ligados diretamente à RNT.

EVOLUÇÃO DO TEMPO DE INTERRUPÇÃO EQUIVALENTE - TIE

Em 2017, prosseguiu a monitorização da qualidade da onda de tensão na generalidade dos pontos de entrega e de interligação da RNT.

As medições efetuadas continuam a mostrar resultados que se enquadram, com um reduzido número de exceções em casos pontuais e localizados, nos valores padronizados no Regulamento da Qualidade de Serviço.

O nível global da qualidade da energia elétrica depende do número de incidentes registados na rede de transporte ou com impacte nesta. Em 2017, sobretudo devido aos incêndios, o número de incidentes subiu para 285 (mais 56% do que em 2016), dos quais 241 tiveram origem na rede de muito alta tensão (MAT), 15 em equipamentos de alta tensão (AT) da RNT e 29 noutras redes, mas com impacte nas redes de MAT e equipamentos de AT da RNT. Apenas dez incidentes (3,5% do total) provocaram interrupções no abastecimento de energia elétrica aos consumidores, tendo causado dez interrupções de consumo nos pontos de entrega.

EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE INCIDENTES

Desempenho dos ativos da rede de transporte

  • Disponibilidade

A taxa combinada de disponibilidade – indicador regulatório introduzido pela ERSE em 2009 que pondera a disponibiliade dos transformadores e das linhas da RNT – atingiu, em 2017, o valor de 98,13%, o que consubstancia um valor ligeiramente inferior ao obtido em 2016, mas ainda assim acima do valor de referência da ERSE. A figura seguinte apresenta a evolução anual deste indicador nos últimos cinco anos. Este desempenho traduz uma eficaz coordenação e programação das indisponibilidades da rede ao longo do período em causa.

TAXA COMBINADA DE DISPONIBILIDADE

  • Desempenho das linhas

Em 2017, as linhas da RNT apresentaram um desempenho satisfatório, apesar do aumento do número de incidentes face ao ano anterior (+56%), devido sobretudo ao elevado número de incêndios registados.

O gráfico seguinte ilustra o desempenho das linhas nos últimos cinco anos, no que respeita ao número de defeitos por 100 quilómetros de circuito.

EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE DEFEITOS COM ORIGEM EM LINHAS DA RNT POR 100 QUILÓMETROS DE CIRCUITO

  • Desempenho dos equipamentos das subestações

De uma forma geral, as subestações, respetivos equipamentos e sistemas aí instalados registaram um comportamento favorável no seu desempenho em serviço. O número de avarias em transformadores e disjuntores verificou uma ligeira diminuição face a 2016. No relatório da qualidade de serviço, publicado anualmente pela REN, estes temas são tratados com maior detalhe e profundidade técnica.

COMPORTAMENTO DAS REDES

Os principais congestionamentos que ocorreram na RNT, em 2017, estiveram associados a indisponibilidades de elementos de rede, que foram solucionadas através de restrições de geração ou de alterações topológicas introduzidas na rede. Neste campo, merecem particular destaque as indisponibilidades associadas à remodelação de linhas de 400 kV no interior centro de Portugal continental que obrigaram à adoção de medidas topológicas especiais, tendo em vista a minimização de restrições na geração e a maximização da capacidade comercial da interligação com Espanha.

No ano de 2017, apesar de a evolução do consumo de eletricidade em Portugal continental ter sido ligeiramente positiva, o número de linhas da RNT que foi necessário desligar, como solução de recurso para controlo das tensões, reduziu-se substancialmente. Na base desta redução, esteve a maior disponibilidade de meios de gestão de «energia reativa» com a entrada em serviço de novos equipamentos, as reactâncias shunt, conforme previsto nos planos de desenvolvimento e investimento da rede de transporte.

Adicionalmente, no ano de 2017 há que destacar a resiliência demonstrada pela RTN perante a tragédia nacional que foram os incêndios florestais, uma vez que apesar de os fenómenos extremos a que foi sujeita terem provocado um total de 150 incidentes, o seu impacte na continuidade do fornecimento de energia eléctrica foi mínimo.

OPERAÇÃO DO SISTEMA

No ano de 2017, o consumo do sistema elétrico português apresentou um ligeiro acréscimo, 0,7% em relação ao ano transato, totalizando 49,6 TWh, valor que é o mais elevado dos últimos 6 anos. Refira-se, adicionalmente, que em 2017 o sistema elétrico foi exportador, pelo segundo ano consecutivo, tendo sido exportados cerca de 2,7 TWh, e que devido às condições hidrológicas desfavoráveis a satisfação do consumo nacional deixou de ser efetuada maioritariamente tendo por base a geração a partir de fontes renováveis.

Na sequência da aprovação dos novos códigos europeus, nomeadamente o código para atribuição da capacidade e gestão de congestionamentos (CACM - capacity allocation and congestion management), a REN e os restantes Operadores de Sistema da região Sudoeste da Europa (REE Red Eléctrica de España e RTE Réseau de transport d’Électricité) apresentaram aos respetivos reguladores uma proposta de metodologia para o cálculo da capacidade comercial da interligação duma forma coordenada.

+0,7% Consumo elétrico nacional

OPERAÇÃO DO MERCADO

Em 2017, quatro novos agentes de mercado iniciaram a sua atividade e quatro agentes de mercado cessaram a sua atividade no sistema elétrico nacional (SEN). Desta forma, no final do ano existiam 39 agentes de mercado, dos quais três são produtores.

Antecipando a entrada em vigor do Regulamento n.º 2017/2195 da Comissão Europeia, que estabelece orientações relativas ao equilíbrio do sistema elétrico, em abril de 2017, 19 TSO (Transmission System Operators) europeus celebraram um memorando de entendimento relativo ao processo de manual Frequency Restoration Reserve (mFRR) o qual visa a cooperação entre TSO para troca de energia associada ao referido processo. Com a assinatura deste memorando criou-se o projecto MARI (Manually Activated Reserves Initiative), onde a REN participa ativamente desde a sua criação.

Em novembro de 2017, a REN tornou-se membro observador do projeto PICASSO (Platform for the International Coordination of the Automatic frequency restoration process and Stable System Operation). O PICASSO é o projeto de referência para a implementação do processo de automatic Frequency Restoration Reserve (aFRR), o qual visa a cooperação entre TSO para troca de energia associada ao referido processo. Com a sua implementação, prevê-se que ocorra uma otimização e diminuição das mobilizações de energia de regulação secundária, contribuindo para o incremento da concorrência e para uma maior eficiência na mobilização das energias de equilibrio necessárias para a operação do SEN.